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AUTONOMIA E BEM ESTAR: O NOVO CAMINHO DA SAÚDE DAS MULHERES

Mulher relaxa de olhos fechados enquanto ouve música com auscultadores. Mulher relaxa de olhos fechados enquanto ouve música com auscultadores.

Em Portugal e na maior parte da Europa, os avanços na saúde reprodutiva e nas tecnologias digitais permitem que as amulheres jovens tenham uma abordagem mais proativa ao seu bem‑estar. Há, hoje, um foco maior na saúde mental, na saúde física e na capacidade de tomar decisões informadas sobre uma das escolhas mais importantes da vida: ter ou não ter filhos.

Para quem procura mais autonomia no seu percurso de saúde, um dos avanços mais relevantes dos últimos anos é a chegada das tecnologias de bem‑estar centradas nas mulheres, conhecidas como FemTech. Este setor combina aplicações móveis, dispositivos vestíveis, software e plataformas digitais que ajudam as mulheres a seguir, gerir e decidir sobre a sua saúde geral e, cada vez mais, sobre a sua saúde reprodutiva.

Ao colocar dados e ferramentas nas mãos das próprias utilizadoras, a FemTech ajuda a reduzir lacunas antigas no acesso aos cuidados médicos e aos cuidados específicos para mulheres. O impacto traduz‑se em melhor saúde e maior autonomia. 

 

Como funciona a FemTech

 

As aplicações como a ClueFlo Health e Natural Cycles usam algoritmos e dados introduzidos pelas utilizadoras para prever ovulação, dias férteis e sintomas de TPM. Algumas integram sensores vestíveis que registam temperatura corporal basal, sono e variabilidade cardíaca.

Um dos aspetos mais importantes destas ferramentas é que permitem às mulheres conhecer melhor o seu próprio corpo. Isto é fundamental quando se considera que, numa sondagem realizada em 2020 a 2000 mulheres, uma em cada dez não conseguiu identificar corretamente as partes do sistema reprodutor feminino. O estudo mostrou grandes lacunas de conhecimento: quase 60% identificaram o útero como sendo uma parte diferente do corpo.

Para além dos conhecimentos anatómicos, os resultados de outro estudo publicado em 2025 revelaram que “as mulheres tinham pouco conhecimento sobre a saúde reprodutiva”, o que demonstra que as participantes “sabiam pouco sobre os fatores de risco de infertilidade”, independentemente da sua idade, nível de escolaridade ou experiências pessoais

Estas conclusões destacam a necessidade muito real de melhorar a divulgação de informações sobre a saúde reprodutiva das mulheres. É aqui que as tecnologias de bem-estar estão a ter um impacto profundo.

 

Diferentes aplicações para diferentes necessidades

 

Nem todas as aplicações FemTech são iguais, e num mercado competitivo isso é intencional.

Natural Cycles destaca‑se por ser a primeira aplicação aprovada pela Autoridade dos Alimentos e Medicamentos dos EUA como ferramenta de controlo de natalidade. O seu algoritmo usa dados únicos de temperatura para reduzir o risco de previsões incorretas e ajudar a planear ou evitar uma gravidez.

Quando a Flo Health se tornou o primeiro “unicórnio FemTech” da Europa em 2024, a empresa gabou-se de que a sua “plataforma multifuncional” tinha quase 70 milhões de utilizadoras ativas mensais e cerca de cinco milhões de subscrições pagas. De acordo com o seu site, o número total de transferências da aplicação Flo ascende atualmente a 420 milhões. Uma das características distintivas da Flo são as várias calculadoras, que podem ajudar a tabular fatores como o momento adequado para fazer um teste de gravidez ou quando é provável que tenha ocorrido a implantação de um óvulo fertilizado no revestimento uterino. Tecnicamente, este é o momento em que uma mulher é considerada como estando grávida.

Por sua vez, a Clue, fundada na Alemanha em 2012, cuja cofundadora e presidente Ida Tin cunhou o termo “FemTech” quatro anos mais tarde, está disponível em 20 idiomas, incluindo inglês, hindi, italiano, norueguês, espanhol e vietnamita. A empresa afirma que as utilizadoras podem seguir mais de 200 “experiências únicas relacionadas com o seu ciclo”. 

Ter o historial menstrual acessível é uma conveniência importante, sobretudo quando surge a pergunta habitual numa consulta: “quando foi a sua última menstruação? 

 

Derrubar barreiras

 

Estas plataformas oferecem mais do que conveniência. Criam comunidade, ligando mulheres a profissionais de saúde e grupos de apoio. Isto melhora a compreensão, reduz o estigma e leva a melhores resultados de saúde.

O processo de conceção pode ser solitário e emocionalmente exigente. A FemTech ajuda a abrir espaço para conversas sobre bem‑estar sexual, fertilidade, menopausa e saúde mental, promovendo uma cultura de aceitação.

As redes de apoio estruturadas, que incluem acompanhamento psicológico, terapia e grupos de pares, estão cada vez mais presentes nos percursos de saúde das mulheres.

 

Portugal: autonomia digital num panorama demográfico em mudança

 

Em Portugal, o crescimento da FemTech acompanha mudanças demográficas e sociais. Segundo o Eurostat, Portugal tem uma das taxas de fertilidade mais baixas da UE, abaixo de 1,5 crianças por mulher, e a idade média para o nascimento do primeiro filho ultrapassa, atualmente, os 30 anos.

O acesso à saúde reprodutiva é amplo, mas persistem tempos de espera e diferenças regionais. A procura por tratamentos de fertilidade aumentou na última década, enquanto alguns serviços especializados enfrentam pressões de capacidade.

Ao mesmo tempo, cresce o uso de teleconsultas, plataformas de saúde online e portais digitais entre mulheres dos 25 aos 44 anos, o grupo que mais toma decisões de fertilidade. As aplicações que seguem ciclos e sintomas funcionam como ponto de partida para consultas mais estruturadas, permitindo partilhar dados com profissionais de saúde.

Segundo o inquérito à Literacia e Saúde financeira da OCDE/INFE (2023–2024), as mulheres portuguesas associam cada vez mais a autonomia de saúde a um planeamento de vida mais abrangente, que inclui continuidade da carreira, estabilidade de habitação e segurança financeira a longo prazo. As decisões de fertilidade fazem parte de estratégias mais amplas. A FemTech contribui para esta visão ao ajudar a alinhar escolhas de saúde com ambições pessoais e profissionais.

 

Apoiar escolhas de saúde informadas


As ferramentas digitais ajudam as mulheres a conhecer melhor o seu corpo, mas o acesso a cuidados médicos continua a ser muito importante.

Seguros como o Saúde Individual da Generali Tranquilidade facilitam o acesso a consultas, exames e cuidados de saúde organizados, para que cada pessoa tenha apoio quando precisa. Este seguro inclui também cobertura de saúde mental, com consultas de psiquiatria, psicologia e psicoterapia, presenciais ou online.

Integrados numa estratégia de bem‑estar, os seguros de saúde complementam os conhecimentos digitais com a continuidade prática dos cuidados, o que ajuda as mulheres a adaptar as suas decisões reprodutivas e de saúde geral com confiança e planeamento a longo prazo.

  

Uma abordagem holística

 

Algumas aplicações FemTech, como a Clue, associaram-se a plataformas de mindfulness, como a Headspace, com o objetivo de abordar a saúde reprodutiva das mulheres de uma forma holística, que reconhece a ligação entre a mente e o corpo e o impacto psicológico que os problemas como a infertilidade podem ter no bem-estar mental de uma pessoa.

Por exemplo, as pacientes que têm dificuldade em engravidar relatam sentimentos de ansiedade, isolamento e perda de controlo, sendo que estas pacientes que sofrem de infertilidade têm níveis de depressão comparáveis aos de pacientes diagnosticadas com cancro.

No entanto, apesar da prevalência da infertilidade, que afeta uma em cada seis adultas, a maioria das mulheres inférteis hesita em partilhar as suas histórias com a família ou amigos, o que aumenta o risco de vulnerabilidade psicológica.

Com a FemTech, tudo isto e muito mais, vai mudar. 

 

Tecnologias que transformam vidas

 
Os criadores e investidores da FemTech acreditam que estas tecnologias permitem às mulheres alinhar objetivos de saúde, planeamento familiar e ambições de vida como estudos, carreira, relações e habitação.

Ao permitir que compreendam melhor os seus corpos e ao dar‑lhes uma abordagem proativa ao bem‑estar, estas tecnologias podem transformar o papel das mulheres na sociedade. Essa transformação depende também do acesso a percursos médicos acreditados, consultas simplificadas e cuidados especializados.

Se conhecimento é poder, o potencial para as mulheres terem controlo sobre o seu futuro nunca foi tão grande. 

 


 

Fontes: